“A TEORIA DAS TERRAS NAS UNHAS”

Tenho teoria interessante sobre o porque nos achamos os donos do mundo, é a hipótese de não termos terras nas unhas. Isso mesmo, NÃO ter terras na unhas. Quero retratar alguns fatos para buscar a afirmação ou não, da hipótese levantada. Vamos lá, para começar a maioria dos habitantes que moram hoje em Primavera veio do interior de vários cantos do Brasil (que se inclua todos os grandes – leia-se ricos, não gordos fazendeiros), onde um dia trabalharam na roça ou em outro serviço da “lida” interiorana diária (ainda mais interiorana que a nossa).
O trabalho do mês dava para as despesas e algumas mínimas extravagâncias como comprar um refrigerante no domingo. O valor que era e que ainda é dado ao trabalho, sem dúvida nenhuma supera ao valor de hoje.
E aqui em nosso El Dorado primaveril, o que aconteceu com os antigos valores? O que aconteceu com a terra nas unhas, que dá significado e importância ao trabalho? Acredito que diminuiu junto com o crescimento meteórico da conta corrente e de hectares de terras adquiridas. A sociedade mostra também que a educação, a servidão a Deus, aos familiares e a comunidade se acabou. Sumiu! E que possuem outros valores adquiridos e comprados. Como o de levar vantagem em tudo e sobre todos.
Mas como isso ocorreu? Todos continuam trabalhando muito duro e ainda temos todos os dias terras nas unhas. Por que hoje um boi, um cavalo, uma caminhonete, ter 5.000 hectares de terra é tão valoroso para o status social? E ter generosidade e responsabilidade social, ambiental e econômica é tão horrorizado?
Talvez seja porque quem nos comanda e que dita as regras, não tenham e nunca tiveram terra nas unhas e não saibam exatamente dar valor ao trabalho, nem o quanto custa o suor. Assim fomos conduzidos a fazer como gado marcado, dominado e alienado, que não tem valor pelo que pode produzir; mas pelo seu porte de origem pura ou pela sua exuberância de qualidade externa que ganha prêmios forjados e principalmente impostos.
Somos gado tão bem marcado e selecionado que o mundo está sendo destruído e estamos aqui no pasto ruminando o que comemos a algum tempo atrás, alienados a dos problemas da comunidade e que fica choramingando mas com carro zero Km na garagem, enquanto uns não tem sequer um pão do dia anterior para comer.
Estamos parados sem fazer nada, nem a nossa parte. Precisamos começar a mudar nosso cotidiano. Vamos pensar em como mudar nosso dia-a-dia e ter de volta nossos valores e terra nas unhas.
Prof. Andrei Mello

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